Desde que recebo essa caneta, desde a primeira das primeiras vezes, que prometi a mim mesma que a gastaria até ao fim. Prometi que toda a carga dessa caneta tinha de ser gasta no respectivo ano, porque depois ficava inutilizável, não haveria reciclagem que lhe valesse.
Foi o que fiz. Todos os anos, essa caneta termina pela altura do ano novo, havendo sempre um bocadinho de desperdício, relativamente àqueles dias em que me apetece muito pouco escrever mais um pouco da minha história. Não faço colecção das canetas vazias. Não as guardo em lugar nenhum especial, não vou lá olha-las de vez em quando, embora parte de mim se lembre delas de vez em quando. Cada caneta é una, inconfundível com qualquer outra. Cada uma escreve uma história diferente, ligada à anterior e à seguinte, mas sempre diferente.
De caneta em caneta, o seu tamanho vai aumentando, evoluindo, adaptando. Posso até dizer que cada caneta tem uma cor diferente, uma intensidade diferente.
Todas essas canetas fazem a minha vida, a pessoa que eu sou, e as memórias que tenho. Nunca me lembrei de lhes dar nome... Até hoje. Podia identificá-las uma a uma, dando-lhes um nome especial por cada ano que passou.
Mas não... São elas todas, juntas, que fazem a minha vida, não individualmente. Por isso mesmo, decidi identificar a "carga" das mesma com o tempo: inutilizável.
Quanto ao nome, só me surgiu um à cabeça... Atitude.