Então... Hoje sinto-me culpada. Culpada por pedir algo a alguém que se ofereceu prontamente a oferecer. Não é ridículo? Sempre aceitei o que me ofereciam de bom grado, apenas por sentir que a outra pessoa era bem intencionada.
O que é que se passa? Às vezes sinto que sou completamente doida, que digo, faço e sinto coisas demasiado absurdas! Se estivesse a ter esta conversa pessoalmente, era a altura em que essa pessoa me vinha com o discurso de caridade. Sim, porque eu sou "especial, diferente". Tudo aquilo por que passo todos os dias, com os outros e às vezes apenas comigo mesma é que me fazem quem eu sou, é que me fazem tão diferente e tão especial. Engraçado... Um dia uma pessoa disse-me, ao fim de muitos anos de asneiras e de dramas que o que mais tinha pedido (a quem quer que seja) era felicidade. Pois a única coisa que eu pedia era para ser diferente. Quando era pequena lembro-me de às vezes desejar estar sozinha, a ler, comigo mesmo e com a música que me entrava nos ouvidos tão facilmente que era difícil imaginar que ela não era parte de mim. Sonhava ser diferente, ser uma heroina, pelo menos para alguém. Sonhava lutar por aquilo que acreditava, e pedia que a vida me trouxesse problemas para que eu os levasse como um desafio, e os resolvesse com a consciencia tranquila.
Pois... Isso não aconteceu. Sou diferente? Definitivamente. Talvez por ser única, talvez por ser suposto todos nós sermos únicos à nossa maneira. E aconteceu. A vida trouxesse-me algo muito próximo do que eu lhe pedi. Trouxe problemas, dificuldades. Trouxe-me luta. Trouxe lágrimas que não sei de onde saem, nem porque. Trouxe sorrisos que saem falsos, e trouxe outros que saem tão naturalmente que nem eu, nem os outros, percebem porque. Trouxe o orgulho, e trouxe também a consciência. E é esta que me pesa hoje. Pesa por achar que não sou digna de tudo o que a vida me trouxe. Sinto-me culpada por saber que sou ingrata tantas das vezes que a vida me põe à prova. Sinto-me culpada por não saber aceitar aquilo que pedi. Porque outros pedem, e não têm... Eu peço, e, além de não dar por isso, não o sei enfrentar.
"A perfeição não está na mão dos que a procuram, mas sim na dos que a deixam encontra-los"
domingo, 11 de julho de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
Estou bêbada. Finalmente de férias, decidi sair e beber uns copos, para esquecer metodologia. Esqueci metodologia e lembrei-me de ti. Fui ver fotos tuas e revejo os momentos que passamos: o sorriso com que me recebias à porta de minha casa, o calor do teu corpo que se aproximava de mim apenas quando me ia embora, o "sim" que me disseste, no meio de um beijo, e que contrariaste uma semana depois. Queria perceber o que se passou, se não arriscaste porque não gostavas de mim, ou porque tinhas medo.
A verdade é que ainda sonho com o teu regresso, e, por muito que queira e tente negar, eras tu que me ias tirar do grande buraco em que cai. Queria que tivesses ficado. Mas foste... E eu não consigo odiar-te. Não consigo esquecer-te, ultrapassar. Estou fechada para obras, e não consigo aproximar-me de mais ninguém.
Podias voltar, só para eu perceber.
A verdade é que ainda sonho com o teu regresso, e, por muito que queira e tente negar, eras tu que me ias tirar do grande buraco em que cai. Queria que tivesses ficado. Mas foste... E eu não consigo odiar-te. Não consigo esquecer-te, ultrapassar. Estou fechada para obras, e não consigo aproximar-me de mais ninguém.
Podias voltar, só para eu perceber.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Recordações
Apeteceu-me ouvir uma música que me fazia lembrar tudo o que passamos juntos. Lembro-me de a ouvir, enquanto trocava sms contigo, no silêncio e na escuridão do meu quarto, onde a única voz que ouvia era a tua, e a única coisa que via era o teu sorriso.
Sei que seremos sempre tudo, os dois, um do outro. Sim, serei sempre tua, e tu serás sempre meu. Mas sei que um dia conseguiremos, ambos, partilhar-mo-nos com outros. Eu já tentei, e resultou apenas uma vez. Quando chegar a tua vez, sei que vou estar lá para ver, e espero que não me custe tanto como te custaria a ti, se soubesses.
Apetece-me dizer-te o "Amo-te" que nunca saiu, apenas para te dizer que sim, estou aqui, e, infelizmente, não tenho acções investidas para ir a lado nenhum. Mas, também, se hoje me dissesses que me querias, dir-te-ia que não... Porque não te amo mais, e as lágrimas já não caem. Para já...
Até à próxima... In loving memory.
Sei que seremos sempre tudo, os dois, um do outro. Sim, serei sempre tua, e tu serás sempre meu. Mas sei que um dia conseguiremos, ambos, partilhar-mo-nos com outros. Eu já tentei, e resultou apenas uma vez. Quando chegar a tua vez, sei que vou estar lá para ver, e espero que não me custe tanto como te custaria a ti, se soubesses.
Apetece-me dizer-te o "Amo-te" que nunca saiu, apenas para te dizer que sim, estou aqui, e, infelizmente, não tenho acções investidas para ir a lado nenhum. Mas, também, se hoje me dissesses que me querias, dir-te-ia que não... Porque não te amo mais, e as lágrimas já não caem. Para já...
Até à próxima... In loving memory.
domingo, 4 de julho de 2010
Um amigo.
"Todos crescemos com a ideia de que estamos aqui por uma razão especial, para fazer a diferença, para deixar uma marca. Os nossos próprios familiares, através de uma simples história que nos tinha como protagonista, incutiram-nos a ilusão de que somos verdadeiros heróis, de que quando alguém precisa de ajuda, nós a salvámos, socorremos. Isto é apenas um idealismo ingénuo que só mais tarde nos apercebemos, mas que em qualquer altura da vida o nosso inconsciente, alimentado por essa mesma ilusão de infância, numa situação “heróica” nos preenche os sentidos com uma adrenalina realmente vibrante. E então? Não precisamos de super-poderes, nem de uma capacidade que nos distinga das demais pessoas. Temos apenas de fazer tudo para sermos aquilo que quisermos ser, não importa de onde vimos ou com que condições chegamos aqui. No final, o que fica são as lembranças nas pessoas que nos amaram. E por quê? Porque fomos nós mesmos. Podemos não ter sido heróis para todo o mundo, é certo, mas fomos para aqueles verdadeiramente importantes, e aí sim, viemos aqui por uma razão especial."
O corredor
Virou as costas. Virou as costas e, mais uma vez, não me percebe. E pronto, lá vou eu… Outra vez a chorar copiosamente por alguém que não merece, e que me acha maluquinha. É sina, serei sempre a rapariguinha que não sabe para onde se virar, porque tem a vida feita numa miséria. Coitada… Pois coitada é corno. E eu não sou corno. Não mais. Mas, apesar de toda a força instantânea que me faz ter vontade de lutar contra isso a que chamam destino, olho para o chão, em vez de para o céu.
A porta fechou. Já lá fui algumas vezes, entrei, e passei lá algum tempo. Quando saía, a porta ficava aberta. Podia ir lá hoje… Queria ir lá hoje. Queria uma abraço e um “Vai ficar tudo bem… Vamos conseguir”. Mas não vou, porque sei que não o ia ter. E mesmo que tivesse, era só uma questão de tempo até a porta fechar outra vez.
Talvez um dia ele perceba, e abra a porta do lado dele.
A porta fechou. Já lá fui algumas vezes, entrei, e passei lá algum tempo. Quando saía, a porta ficava aberta. Podia ir lá hoje… Queria ir lá hoje. Queria uma abraço e um “Vai ficar tudo bem… Vamos conseguir”. Mas não vou, porque sei que não o ia ter. E mesmo que tivesse, era só uma questão de tempo até a porta fechar outra vez.
Talvez um dia ele perceba, e abra a porta do lado dele.
Narcisismos.
Não estou normal. Não sorrio à 3 dias e a única coisa que me sabe dizer é "Não estás normal". Apeteceu-me gritar "ACORDA! PASSEI O ANO NA MERDA, E COMPREI O SORRISO FALSO NOS CHINESES! E AGORA JÁ NÃO COLA MAIS!". Mas não o fiz. Porquê?
Não sei... Mais uma vez, calei-me. Eu, que ia mudar o Mundo. Nem a minha vida mudo, quanto mais a dos outros. Again and again, os homens tem a maior das facilidades em me destronar. Qualquer um, seja qual for a razão, seja qual for a maneira. E eu deixo... Sempre deixei, porque, feita estúpida, valia a pena. Valia a pena porque, um dia, eles me iriam dar razão.
Esse dia não chegou. E eu não posso esperar mais. Nem consigo... Nem quero. Mas que raio? Serei assim tão imperfeita, tão merecedora de todos os tipos de tortura imaginária? PORQUE É QUE NÃO OLHAS PARA MIM? Porque é que não me vês, estando eu aqui, todos os dias, MESMO À TUA FRENTE? Dói tanto... E eu sinto-me impotente. Não te sei dizer o que sinto, as palavras não saem, e o coração comove-se de olhar para ti e ver que tu não percebes mesmo. Ao contrário de mim, que percebo sempre tudo e todos... Sempre.
"Eu aguento tudo", disse, quando me disseram que estavam preocupados comigo. Treta... Eu não aguento nada, e essa é, entre muitas, a maior mentira que eu já disse. Fake until you make it, perhaps.
Não sei o que quero, hoje... Mas sei que não sou feliz.
Não sei... Mais uma vez, calei-me. Eu, que ia mudar o Mundo. Nem a minha vida mudo, quanto mais a dos outros. Again and again, os homens tem a maior das facilidades em me destronar. Qualquer um, seja qual for a razão, seja qual for a maneira. E eu deixo... Sempre deixei, porque, feita estúpida, valia a pena. Valia a pena porque, um dia, eles me iriam dar razão.
Esse dia não chegou. E eu não posso esperar mais. Nem consigo... Nem quero. Mas que raio? Serei assim tão imperfeita, tão merecedora de todos os tipos de tortura imaginária? PORQUE É QUE NÃO OLHAS PARA MIM? Porque é que não me vês, estando eu aqui, todos os dias, MESMO À TUA FRENTE? Dói tanto... E eu sinto-me impotente. Não te sei dizer o que sinto, as palavras não saem, e o coração comove-se de olhar para ti e ver que tu não percebes mesmo. Ao contrário de mim, que percebo sempre tudo e todos... Sempre.
"Eu aguento tudo", disse, quando me disseram que estavam preocupados comigo. Treta... Eu não aguento nada, e essa é, entre muitas, a maior mentira que eu já disse. Fake until you make it, perhaps.
Não sei o que quero, hoje... Mas sei que não sou feliz.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Definições... Ou tentativas.
Às vezes ponho-me a pensar em objectivos... E, numa perspectiva um tanto ou quanto colectiva, o meu objectivo (e o de toda a gente) é ser feliz. Mas é mesmo?
Lembro-me de que quando era pequena sonhava ser uma personagem de um filme. Em sonhos fui muitas, cada mês que passava, uma diferente. Claro, dizem vocês… Eras criança, éramos todos assim! Pois… Mas eu já sou adulta, agora (em idade, entenda-se), e continuo a sonhar como dantes. Ainda mais, até…
Perguntavam-me no outro dia se sou feliz. Respondi com “E o que é isso?”. A resposta foi rirem-se na minha cara e dizerem que eu sou muito complicada. Até acho piada… Li em algum lado que o objectivo do ser humano é alcançar a felicidade, entenda-se por isso um emprego estável, um casamento pacífico, dois filhos, casa com jardim (e alpendre, fica sempre bonito…), a casota para a cadelinha branca de nome “Cherry”, o carro espaçoso mas com categoria estacionado à frente, e uma conta bancária estável, o suficiente para uma viagem às Caraíbas de vez em quando. Claro que, pondo as coisas desta maneira, muito de vós diriam “Meu Deus, que pessoas fúteis, só pensam em dinheiro!”. Verdade, mas tão mentira… Amor e uma cabana? Pois, está bem… Hoje, nem a versão “Amor e um apartamento “ serve, quanto mais?
Entendam que não estou a tentar chamar fútil à nossa sociedade… Até porque isso seria uma perda de tempo. A verdade é que a noção de felicidade é esta para muita gente (Ok, substituindo a “Cherry” pelo pastor alemão), e eu não sou presunçosa o suficiente para a criticar. Por outro lado, também já me disseram que a felicidade é algo instantâneo… Que felicidade são os amigos, a recordar os bons velhos tempos de rebeldia (entenda-se, universidade); são os primeiros encontros, os primeiros filhos, os primeiros netos; é pegar no carro e hit the road, à boa velha maneira americana… É boa música, é bom ambiente. É curtir a noite numa discoteca, é tomar um café com um desconhecido. São as pequenas coisas.
Em que ficamos afinal? Será a felicidade uma, a outra, ou ambas? Ou nenhuma?
Não quero ser feliz… Se esta vida já não está fácil, podem ter a certeza que não vou por como meu objectivo algo que não sei o que é! Então… Que o meu objectivo seja dormir tranquila… Quero chegar ao fim do dia, e ver que as coisas boas superam as más, quero sentir-me útil, e quero rir às gargalhadas quando tiver recordações. Quero viver um dia de cada vez.
Mas espera… Isso não é querer ser feliz?
Lembro-me de que quando era pequena sonhava ser uma personagem de um filme. Em sonhos fui muitas, cada mês que passava, uma diferente. Claro, dizem vocês… Eras criança, éramos todos assim! Pois… Mas eu já sou adulta, agora (em idade, entenda-se), e continuo a sonhar como dantes. Ainda mais, até…
Perguntavam-me no outro dia se sou feliz. Respondi com “E o que é isso?”. A resposta foi rirem-se na minha cara e dizerem que eu sou muito complicada. Até acho piada… Li em algum lado que o objectivo do ser humano é alcançar a felicidade, entenda-se por isso um emprego estável, um casamento pacífico, dois filhos, casa com jardim (e alpendre, fica sempre bonito…), a casota para a cadelinha branca de nome “Cherry”, o carro espaçoso mas com categoria estacionado à frente, e uma conta bancária estável, o suficiente para uma viagem às Caraíbas de vez em quando. Claro que, pondo as coisas desta maneira, muito de vós diriam “Meu Deus, que pessoas fúteis, só pensam em dinheiro!”. Verdade, mas tão mentira… Amor e uma cabana? Pois, está bem… Hoje, nem a versão “Amor e um apartamento “ serve, quanto mais?
Entendam que não estou a tentar chamar fútil à nossa sociedade… Até porque isso seria uma perda de tempo. A verdade é que a noção de felicidade é esta para muita gente (Ok, substituindo a “Cherry” pelo pastor alemão), e eu não sou presunçosa o suficiente para a criticar. Por outro lado, também já me disseram que a felicidade é algo instantâneo… Que felicidade são os amigos, a recordar os bons velhos tempos de rebeldia (entenda-se, universidade); são os primeiros encontros, os primeiros filhos, os primeiros netos; é pegar no carro e hit the road, à boa velha maneira americana… É boa música, é bom ambiente. É curtir a noite numa discoteca, é tomar um café com um desconhecido. São as pequenas coisas.
Em que ficamos afinal? Será a felicidade uma, a outra, ou ambas? Ou nenhuma?
Não quero ser feliz… Se esta vida já não está fácil, podem ter a certeza que não vou por como meu objectivo algo que não sei o que é! Então… Que o meu objectivo seja dormir tranquila… Quero chegar ao fim do dia, e ver que as coisas boas superam as más, quero sentir-me útil, e quero rir às gargalhadas quando tiver recordações. Quero viver um dia de cada vez.
Mas espera… Isso não é querer ser feliz?
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