Normalmente, nem tudo corre como nós queremos. E porquê?
Porque a vida tem uma mania filha da puta de se meter onde não é chamada.
Imiscui-se em assuntos privados, brinca com sentimentos, usa o karma como quer
e bem lhe apetece, e nós, como marionetas que somos deixamo-nos andar, porque,
de verdade, a mudança está fora do nosso alcance.
Ora, eu proponho um atentado à vida. Um ultimato, ou outra
dessas técnicas político-sociais de extrema que ponha fim a esta ditadura. Sim,
porque sem dúvida que nos encontramos numa ditadura. Como ditadora suprema e
absoluta, a vida faz de nós o que quer, usa-nos a seu belo prazer, e não há
revolução que nos salve. Cá para mim a coisa resolvia-se. Uníamo-nos e dizíamos
à vida: Vai-te foder. Fazíamo-nos senhores de nós próprios e a vida seria nossa
em vez de ser dos outros. Cada um de nós mandava no que seria seu, não havia
sentimentos desperdiçados, coincidências maradas nem coisas do género. Seríamos
todos robots, donos de nós próprios e do Mundo, sendo que seríamos nós a
mandar, e não a vida.
Mas perde o encanto, diz-se. Sem surpresas, sem alegrias súbitas
e sem tristezas inesperadas, sem a possibilidade de surgirem do nada coisas
boas ou más nas nossas vidas, a coisa perde o encanto. Deixa de haver magia no
milagre da vida. E no da felicidade e na busca pela mesma.
Por isso mesmo, deixemo-nos andar e culpemos a vida… Afinal,
não é sempre muito mais fácil do que virar o alvo para nós?