Acabei de ler um texto sobre o amor. Um "elogio ao amor puro", chamou-lhe o autor... E fiquei sem palavras. Todo o sentimento expresso, toda a alegria por se amar sem esperar retorno, toda a dor guardada que se carrega com gosto e de livre vontade.
Há quem nos chame tolos. Há quem diga que dói, e que por isso não vale a pena... Chamem-me estúpida, mas não conheço nada que valha a pena sem doer, sem custar. Mas amar é isso mesmo. Estar sem pedir nada em troca, gostar porque sim e porque não, sem razão. Amar não inclui pensamentos, racionalidades, amar é ser. Ser triste, ser tolo, e ter ilusões. Acreditar no impossível, no longínquo, no ambíguo, no ridículo. Afinal, se não nos pudéssemos rir um pouco de nós próprios, a vida não tinha a mesma magia.
Habituei-me a ser assim, a estar assim. Ouvi uma vez dizer que o amor não é um sentimento, é uma capacidade. Talvez seja... Sim, talvez seja. Falta a tantos a capacidade de amar. Amar mesmo, só porque sim. A comodidade, o estar com a pessoa de quem mais se gosta, porque não se quer estar sozinho... Tenho pena dos que não se apercebem do que estão a perder. Sim, amar doí. Não vou ser hipócrita e dizer que é maravilhoso. Nem sempre.
O bom do amor é que ele existe mesmo nos dias maus. Mesmo quando o resto do mundo desaba à nossa volta, mesmo quando deixamos de ver as cores e sorrir. Mesmo quando não é correspondido. Principalmente quando não é correspondido. Porque o amor existe sempre. E sempre nos faz acreditar... Quando falta acreditar no resto, acredita-se no amor. Acredita-se no dia em que ele será correspondido. O amor dá-nos uma força que sem ele seria humanamente impossível. Faz-nos levantar nas manhãs menos simpáticas. Faz com que se tenha vontade de tudo e mais alguma coisa, só porque sim.
Sim, talvez o amor não seja um sentimento, mas sim uma capacidade. Talvez o amor exista apenas para acreditarmos nele. Talvez...