segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Vista da minha rua

Vou à varanda e olho o horizonte. A vista para a Penha assim, ao escuro, com uma luz aqui ou ali, sozinha... Poucas são as que se agrupam, assim como na via. Mesmo com estradas a uni-las, as luzes estão afastadas, longe umas das outras, nunca verdadeiramente isoladas, mas definitivamente sós. Tal como nós.
Na rua vêem-se, tenuemente, as linhas descontínuas, que, por muito que separem as duas vias, podem sempre ser transpostas por quem tem mais pressa. Os carros estão estacionados, uns melhor, outros pior, mas todos à espera que chegue a luz e que os seus utilizadores lhes dêem, como o próprio nome indica, uso. Pessoalmente, agonia-me. A espera, estática. O ter de ficar no mesmo sítio, sem poderem ir dar as suas voltas e voltarem quando forem precisos.
A brisa corre fresca, apesar de ser verão, e os ramos das árvores abanam, e transmitem o ar puro que tanto nos é negado por estarmos no centro da cidade. De vez em quando lá vai passando um carro, talvez depressa demais, pois a recta e a hora tardia assim o permitem.
E vai-se vivendo. Estáticos, agitados pela brisa, ou mesmo com demasiada pressa. Quando o dia clarear, o movimento aumenta, mas a essência permanece.

Concordo agora com um grande poeta português: "Eu hei-de te amar por esse lado escuro, com lados felizes eu já não me iludo. Se resistir à treva é o amor seguro, à prova de bala, à prova de tudo."


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Karma

A vida tem uma mania engraçada de me apanhar sempre desprevenida. Sempre que eu acho que está tudo a encaminhar-se, lá vem o contratempo que me faz repensar outra vez. E eu habituo-me. Até lhe chamo karma.

Hoje, como de todas as vezes que escrevo, faço-o porque estive a pensar. Fazer uma retrospectiva de como as coisas estão a correr, e quais as decisões a tomar. E hoje, como de algumas vezes, não cheguei a conclusão nenhuma. Não tenho decisões a tomar hoje. Amanha vou ter, de certeza, mas amanha preparar-me-ei. Hoje estou orgulhosa. De mim, da minha vida, das minhas decisões. Nem sempre foram correctas (definitivamente), mas eu sempre as soube corrigir, quando foi esse o caso. Sempre soube dar a volta às situações, mesmo que por vezes tenha passado por Roma para ir até Braga e voltar a Casa :D

Hoje escrevo com um sorriso. Amanha volto para escrever com uma lágrima... Porque, se eu bem conheço a Vida, ela vai fazer com que essa e muitas mais venham. Só mesmo para eu as secar.


sábado, 21 de agosto de 2010

Amigos com "A" grande :D

Tenho pessoas espectaculares na minha vida. Às vezes andam meio escondidas, mas eu sei que elas existem e que estão lá. São pessoas capazes de mover o Mundo, nem que seja principalmente o meu. São grandes homens e grandes mulheres, e, mesmo os que ainda estão a crescer e a aprender, serão um dia.

Pessoas que me enchem com um sorriso, com uma piada. São pessoas que, sem eu me aperceber muito bem como é que aconteceu, entraram... Sem querer, entraram onde muitos já tentaram e outros tantos ignoraram a porta que eu abri. E eu deixei, sem dar por ela, sem me aperceber, e sou com eles e elas o mais verdadeiro eu, e digo-lhes coisas que saem tão naturalmente que às vezes nem sabia que sentia tanto ou tão pouco. São pessoas que enchem o meu Mundo.

Hoje discuti com alguns de vós se é possível ser feliz sem uma companhia romântica, e a conclusão a que chegámos foi que sim, é possível, mas que se fica incompleto. Mas hoje eu sinto também, do fundo do coração, que, se der por mim sozinha no futuro, nunca o estarei, porque vos tenho a vocês.

Hoje, são todos vocês que me fazem feliz *.*


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Importo-me.

Importo-me. Apesar de ter desistido de o mostrar, e até de o sentir, a verdade é que me importo. Queria não o fazer. Queria poder ser fria, e não apenas tentar. Queria ignorar o que está mesmo à minha frente, queria que isso não tivesse nenhum significado para mim. Chama-lhe recaída, chama-lhe o que quiseres.

Estou cansada. De facto, eu acho que já sou cansada. Cansei-me nem sei bem de quê... Mas cansei-me. A culpa é tua? Não. Quer dizer... Talvez parte. Mas a culpa é, maioritariamente, minha. Porque podem-me ter feito tudo e mais alguma coisa, mas a verdade é que eu deixei. Eu, só EU.

Já não me enervo. Já não fervo em pouca água, como dantes. Já não quero vingança, como já quis e já fiz. Não... Agora quero começar de novo. Não quero esquecer tudo o que já se passou, porque a minha vida fez-me aquilo e quem eu sou neste preciso momento. E não quero esquecer isso.

Mas não. Não me preocupa ser diferente, preocupa-me não poder escolher entre ser diferente ou ser igual.

"As palavras cansaram, como eu, e recusam-se a sair... E arrancá-las não é a mesma coisa."

domingo, 15 de agosto de 2010

Não.

Não consigo escrever. Já tentei, e voltei a tentar, e não consigo escrever. O que tantas vezes foi um desabafo, uma maneira de eu mesma me perceber, é agora uma dor de cabeça. As palavras não saem, ficaram presas com os sentimentos. É de mais.... A pressão. A pressão que constantemente me preenche os ombros, e me deixa ofegante. Carregá-la não é fácil, muito menos conseguir levá-la até onde é suposto eu ir com ela.

Apesar de tentar sempre fazer a coisa correcta, acabo a fazer a errada. E eternamente peço desculpa. E eternamente me dizem não. Um NÃO tão redondo que enche todo o meu campo de visão. Sim, porque eu tento, e mesmo assim... Nada.

E no fim do jogo, ou do dia, como preferir, quem ganha é quem joga sujo. E eu tento repetir a mim mesma que não devo descer ao mesmo nível. Pois. Lembra-me lá outra vez.... Porquê?

domingo, 8 de agosto de 2010

.

Mudei de ideias. Já sei o que escrever. Cansei. Corre tu atrás, que eu tenho as solas gastas. Se não queres, tenho pena. Seriamos espectaculares juntos. Mas eu não quero alguém que só quer saber quando não tem mais nada para fazer... Rebaixo-me bastante, normalmente, mas há limites para tudo. Não espero mais 3 meses.
Não consigo escrever. Tiraste-me as palavras, e a única coisa que sai é lixo. Já escrevi e apaguei umas três ou quatro vezes. Vou fazer uma pausa, talvez um dia me consiga exprimir melhor...

<3

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pequenos passos

Ganhei coragem. Ganhei coragem e fiz aquilo que não devia ter feito. Afinal de contas, era suposto eu seguir em frente... Esquecer. Bem, não o fiz, corri atrás, e, aparentemente, parece que o fiz a tempo. Porque tu disseste que sim. Depois deste tempo todo disseste que sim. Depois de todas as vezes que desejei que fosses tu, fui eu, e disseste sim.

Convidei-te à tão pouco tempo, e já me dás esperanças. Já me dás sinais que não esqueceste o que se passou (como eu), e que queres lutar pelo que tínhamos (como eu). E aí quem se enraive-se sou eu. Sou eu que trago o orgulho todo cá para cima, e é a mim que me apetece bater-te. Porquê? Porque foi preciso ser eu.

Amanhã não sei o que vai acontecer. Mas posso garantir-te que não vais ter tanta coisa a teu favor como da outra vez. Porque, apesar de ser suposto, eu não esqueci.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Acabou

Pensei em convidar-te para sair. Iríamos tomar aquele café que cancelei, aquele café que tanto te doeu. Pensei, e estive quase a fazê-lo. Mas seria pelas razões erradas. Seria por estar e me sentir sozinha. Seria por querer seguir em frente e afastar-me do destino, que tanto me puxa para um lado, e que eu tanto tento contrariar.

Não seria justo para contigo, não outra vez. Tu personificas todos aqueles a quem eu magoei, por tomar decisões para as quais não estava pronta. Fi-lo muitas vezes, e ainda hoje penso que, se te tivesse dado uma oportunidade. a ti e a outros, algum de vocês me podia ter feito feliz... Mas não, não penso mais assim. Porque a culpa não pode ser só minha, não posso ser sempre eu a errar, e a dar oportunidades a quem não as merece. Porque mesmo quem eu magoo, pode não me magoar a mim, mas magoa outros. E nada me garante que seria diferente se eu tivesse dado mais oportunidades a outras pessoas.

Por isso chega. Chega de achar que a culpa é constantemente minha, chega de pensar que não presto nem sirvo para nada, chega de assumir coisas que não fui eu que fiz. Por isso mesmo, não te vou convidar para café nenhum, nem hoje, nem nunca. Se quiseres, convida-me tu. Deixei de ser a pobre coitada que perdeu a Mãe, e que tem uma família instável, e que por isso não consegue manter uma relação. Sim, eu sou uma confusão, um acidente de tráfico ambulante. Mas tento aguentar-me e fazer a coisa certa. E isso é muito mais do que tu alguma vez sequer pensaste, quanto mais fizeste.