quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Três, dois, um... 2011.

Ano novo. No início de cada ano recebo sempre uma caneta, com a carga completa. Serve para escrever nas páginas brancas de cada novo ano, para escrever as minhas decisões, experiências e acontecimentos. E todos os anos a caneta chega ao fim vazia, ou quase.
Desde que recebo essa caneta, desde a primeira das primeiras vezes, que prometi a mim mesma que a gastaria até ao fim. Prometi que toda a carga dessa caneta tinha de ser gasta no respectivo ano, porque depois ficava inutilizável, não haveria reciclagem que lhe valesse.

Foi o que fiz. Todos os anos, essa caneta termina pela altura do ano novo, havendo sempre um bocadinho de desperdício, relativamente àqueles dias em que me apetece muito pouco escrever mais um pouco da minha história. Não faço colecção das canetas vazias. Não as guardo em lugar nenhum especial, não vou lá olha-las de vez em quando, embora parte de mim se lembre delas de vez em quando. Cada caneta é una, inconfundível com qualquer outra. Cada uma escreve uma história diferente, ligada à anterior e à seguinte, mas sempre diferente.
De caneta em caneta, o seu tamanho vai aumentando, evoluindo, adaptando. Posso até dizer que cada caneta tem uma cor diferente, uma intensidade diferente.

Todas essas canetas fazem a minha vida, a pessoa que eu sou, e as memórias que tenho. Nunca me lembrei de lhes dar nome... Até hoje. Podia identificá-las uma a uma, dando-lhes um nome especial por cada ano que passou.

Mas não... São elas todas, juntas, que fazem a minha vida, não individualmente. Por isso mesmo, decidi identificar a "carga" das mesma com o tempo: inutilizável.


Quanto ao nome, só me surgiu um à cabeça... Atitude.



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Até já

"Sou tão feliz!". As palavras sairam da tua boca com um sorriso, com tanta facilidade que parecia que dizias a mesma frase todos os dias. A prespectiva da noite que se segue animou-nos a ambas, não por esperarmos nada em especial, mas por sabermos que, devido à falta de expectativas, esta noite só poderá ser grande, enorme.
 Não há dúvida que são estes os melhores anos da nossa vida. E passá-los contigo, convosco, marcou, marca e marcará. As músicas que nos soltam aqueles sorrisos, aqueles abraços, aquelas recordações. Quer estejamos próximos ou não, sabemos sempre que estamos disponíveis uns para os outros, para um grande problemas, para um jantar, ou apenas para um olhar entrecruzado numa discoteca cheia de gente. Escrever ou contar o que já passei com todos e cada um de vocês torna-se impossível, e esse facto preenche-me.



Sinto-me bem por vos ter. Não só por estar rodeada de pessoas espetaculares, especiais, mas também por sentir tanta sorte de termos a oportunidade de passar pelo que passamos, todos juntos. Infelizmente, sei que muitos de vocês acabaram por ir cada um à sua vida, e sei também que vou dizer todas as semanas que vos vou ligar, mas não o vou fazer. No entanto, imagino-nos a todos, daqui a umas décadas, juntos num bar ou num restaurante, a cantar os hinos que marcaram a nossa passagem pela Academia, e a recordar momentos.

 
Mas hoje, hoje vamos sair. E criar mais momentos para recordar. Até já <3





 

sábado, 11 de dezembro de 2010

Fins

Tento encontrar palavras para te falar, para te explicar aquilo que sinto, o que me atormenta, e o que me faz soltar as lágrimas em pleno banho. Tento perceber, para te poder explicar. A cada tese, imagino-me a falar contigo, imagino a tua cara, a olhar para mim, e a pensar o quão doida e avariada sou. Vejo a tua reacção, a achar-me ridicula.

Não seria a primeira vez, e por mim, seria a última. Não me falta a coragem para falar contigo, não me falta a vontade. O meu único problema é depois... Depois de me ouvires, depois de te rires de mim, depois de eu ir para casa arrependida e a chorar pela tua reacção, pela tua indiferença. Queria que percebesses o pequeno, quase mínimo pedido que tenho para te fazer, tão insignificante que provavelmente nem o irias perceber.

Mas, no entanto, sei que ias perceber mais do que te quero dizer, como de costume, e ias ver aquilo que eu nunca quis que visses, mas que também nunca consegui esconder.

Fica a decisão no ar... Se falo contigo ou não. É incrivel como, mesmo que o tempo passe, a minha reacção quando me dizes o que costumas dizer não muda. Mas há uma altura em que temos de dizer "Chega." E essa altura chegou. Esperei demasiado por ti, e vou tentar fazer com que a espera acabe.

Sei que nunca mais vou gostar de alguém como gostei (talvez ainda goste) de ti, mas vou tentar chegar lá perto.

E se um dia olhares para mim e te lembrares o que foi, o que sentiste, por favor só o partilhes se souberes que é uma boa altura e que não me vais partir o coração.


Até um dia.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Saudade

É normal ter saudades tuas?

É normal ter saudades do teu sorriso, do teu toque? Houve tanta coisa que ficou por perguntar, por perceber. Tanto de ti que devia ter conhecido melhor. Tanto de ti que devia ter visto melhor... Lembro-me de pensar que tinha chegado ao fim, lembro-me de, por 2 segundos, pensar em desistir. Não o fiz, e valeu a pena. Mas hoje, hoje custa-me. Não por me arrepender, mas por não saber o que se passou. por não saber o que foi este sentimento que passou por ambos e por não saber o que raio aconteceu para se desnvecer assim.
Passou, eu sei. Acabou. E depois? É suposto não sentir saudades tuas, só porque já não gosto de ti?

sábado, 23 de outubro de 2010

Bom feeling

Quero dançar. Hoje, contrariamente ao suposto e aos últimos dias, quero dançar. Apetece-me pôr a aparelhagem nas alturas, fechar-me no quarto, e dançar como se não houvesse amanhã.

Apetece-me sair, sinto-me contagiada pela moca psicológica, por um sorriso tão verdadeiro que pode mover mundos. Sinto-me pronta para sair à rua e descontrair, beber um copo ou outro, jogar uma sueca, talvez. Estar com uns e outros amigos, rir, chorar, e acabar no Sardinha, a rir-me da figura dos desesperados e a mexer-me ao ritmo da música, como se não estivesse ninguém a ver, e estivesse trancada no meu quarto, com a aparelhagem nas alturas.

Se fosse hoje (ou amanhã), ia de directa às aulas da manhã, aterrava duas horinhas na residência, voltava às aulas, jantava e ainda ia ao treino. No dia seguinte estaria exausta e nada pronta para voltar ao estudo, mas sei que ligaria a aparelhagem e dançaria outra vez.


Engraçado... Hoje nem despi o pijama.


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Palavras Escondidas

Foi difícil encontrar inspiração. Ela foi-se, nem sei bem quando, nem sei bem porquê, nem sei bem por quem. Hoje tento, desesperadamente, escrever o que me vai na alma. Não por me fazer bem, como já fez, mas para me sentir racional, capaz de definir algo, nem que sejam meia dúzia de palavras sem sentido. A minha sanidade mental (que já teve, definitivamente, dias muito melhores) está longe e eu preciso dela, e rapidamente.

Depois de uns dias mais pesados do que se esperava, acho legitimo dedicar-te um pouco do meu tempo, mesmo que tu desconheças estes sentimentos e estas palavras. Mesmo que tu não saibas.

Surpreendeste-me. Eu, que pensei que estavas tão longe, vi-te de perto. Não tão de perto como já te vi, um dia, mas mesmo assim, perto. Apareceste-me à frente quando eu já me tinha convencido que te tinhas ido. Afinal não, estás cá, e eu não faço ideia de como lidar com isso neste preciso momento. Olhar para os teus olhos trouxe-me recordações a mais, que já me fizeram tão mal e que agora me fazem tão bem.

Chamem-me louca, digam que me iludo, mas hoje, hoje eu acredito. Acredito que talvez haja hipótese de sermos o que já fomos. De sermos, outra vez, amigos. De sermos, outra vez, cúmplices. De sermos, outra vez, nós.


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Mulheres

Ser Mulher é, definitivamente, diferente. Somos tantas, tão iguais e tão diferentes. Umas concentram-se nisto, outras naquilo, dedicam-se ao trabalho ou à família, aos amigos. Todas com prioridades diferentes, objectivos diferentes, ideais e convicções diferentes.

Engraçado. No meio de toda esta nossa diferença, todas queremos o mesmo, e nos preocupamos com o mesmo. Queremos ser felizes. E enquanto a ideia de felicidade para os Homens pode ser tão simples, tão directa, tão objectiva, nós, Mulheres, conseguimos complicar tudo de tal maneira que, quem nos conhece, sabe que o nosso trabalho ideal não é a cozinha nem a faxina. É a política. E porquê? Boa sorte a encontrar um Homem que questione tudo, duvide de tudo e só tenha fé em algo que esteja empiricamente provado e cientificamente aprovado. Nós, mulheres, temos a mania. Temos a mania que a vida nos vai fazer mal, que nos vai dar luta. Achámos também, imagine-se a presunção, que a única coisa que interessa aos Homens é comer, beber, ver futebol, e, para alguma meia dúzia mais ambiciosa, riqueza e poder. Ah, e sexo. Principalmente sexo.

Nós, tão preocupadas que estamos na possibilidade de não conseguirmos o que queremos, nem damos conta dos erros que cometemos ao tentar, e tentar, e tentar. Enquanto um homem consegue levar uma relação, por exemplo, ao sabor do vento, nós temos a mania que não, que as coisas têm de estar bem definidas, que não andamos a brincar, e se ele é o homem da minha vida? E durmo com ele? Ou vou estragar as coisas? E se ele não gostar? E se eu não gostar? E se ele deixar o tampo da sanita para cima e eu não aguentar? Etc, etc, etc. Sinceramente, não sei como não explodimos! Reparem que normalmente as enxaquecas atacam mulheres, não homens. Pudera! Experimentem ter sempre a cabeça a pensar nestas pieguices!!

E depois existem medos, esperanças, criancices, coisas que, por muito que cresçamos e ganhemos experiência de vida, não vão mudar. Crescer, crescemos... Mas seremos sempre Mulheres.


Conclusão? Depois admiram-se que existam gays.

domingo, 5 de setembro de 2010

*.*

Queria escrever algo inspirador, não para me perdoares, não para me perceberes, apenas para saberes o quanto significas, como pessoa e como amiga.

Sem eu me aperceber bem como, ultrapassaste as barreiras que criei, e entraste. E embora isso soe a cliché, a verdade é que nem sei bem porque ficamos amigas! Quer dizer, temos coisas em comum, sem duvida, mas eu sempre achei bastante ridículo duas pessoas poderem ser amigas de tão longe. Não tenho razão? É absurdo construir-se uma relação por telemóvel, certo? Bem... Até que apareceste tu. E tu, por assim dizer, abalaste o meu Mundo. Ficamos amigas, nem sei bem a quantos quilómetros de distância, mas ficamos.

E agora, como nem tudo pode ser cor-de-rosa, as coisas não estão maravilhosas, bem longe disso... Nem sabemos bem o que aconteceu, mas aconteceu, e agora estamos aqui as duas, sem saber bem o que fazer nem dizer, para voltar ao que éramos antes!

Posso não saber o que dizer mas, sem saber, associei a ti uma música. A letra pode ter a ver, ou então não, nem sei. Não fui ver. Mas o som transmite o que eu sinto.

Por favor, acredita que as coisas podem mudar. Acredita em mim, acredita em ti. Porque eu sei que tu foste uma das melhores coisas que me aconteceu, e eu nao quero deitar isso fora.


Por ti, Inês.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Vista da minha rua

Vou à varanda e olho o horizonte. A vista para a Penha assim, ao escuro, com uma luz aqui ou ali, sozinha... Poucas são as que se agrupam, assim como na via. Mesmo com estradas a uni-las, as luzes estão afastadas, longe umas das outras, nunca verdadeiramente isoladas, mas definitivamente sós. Tal como nós.
Na rua vêem-se, tenuemente, as linhas descontínuas, que, por muito que separem as duas vias, podem sempre ser transpostas por quem tem mais pressa. Os carros estão estacionados, uns melhor, outros pior, mas todos à espera que chegue a luz e que os seus utilizadores lhes dêem, como o próprio nome indica, uso. Pessoalmente, agonia-me. A espera, estática. O ter de ficar no mesmo sítio, sem poderem ir dar as suas voltas e voltarem quando forem precisos.
A brisa corre fresca, apesar de ser verão, e os ramos das árvores abanam, e transmitem o ar puro que tanto nos é negado por estarmos no centro da cidade. De vez em quando lá vai passando um carro, talvez depressa demais, pois a recta e a hora tardia assim o permitem.
E vai-se vivendo. Estáticos, agitados pela brisa, ou mesmo com demasiada pressa. Quando o dia clarear, o movimento aumenta, mas a essência permanece.

Concordo agora com um grande poeta português: "Eu hei-de te amar por esse lado escuro, com lados felizes eu já não me iludo. Se resistir à treva é o amor seguro, à prova de bala, à prova de tudo."


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Karma

A vida tem uma mania engraçada de me apanhar sempre desprevenida. Sempre que eu acho que está tudo a encaminhar-se, lá vem o contratempo que me faz repensar outra vez. E eu habituo-me. Até lhe chamo karma.

Hoje, como de todas as vezes que escrevo, faço-o porque estive a pensar. Fazer uma retrospectiva de como as coisas estão a correr, e quais as decisões a tomar. E hoje, como de algumas vezes, não cheguei a conclusão nenhuma. Não tenho decisões a tomar hoje. Amanha vou ter, de certeza, mas amanha preparar-me-ei. Hoje estou orgulhosa. De mim, da minha vida, das minhas decisões. Nem sempre foram correctas (definitivamente), mas eu sempre as soube corrigir, quando foi esse o caso. Sempre soube dar a volta às situações, mesmo que por vezes tenha passado por Roma para ir até Braga e voltar a Casa :D

Hoje escrevo com um sorriso. Amanha volto para escrever com uma lágrima... Porque, se eu bem conheço a Vida, ela vai fazer com que essa e muitas mais venham. Só mesmo para eu as secar.


sábado, 21 de agosto de 2010

Amigos com "A" grande :D

Tenho pessoas espectaculares na minha vida. Às vezes andam meio escondidas, mas eu sei que elas existem e que estão lá. São pessoas capazes de mover o Mundo, nem que seja principalmente o meu. São grandes homens e grandes mulheres, e, mesmo os que ainda estão a crescer e a aprender, serão um dia.

Pessoas que me enchem com um sorriso, com uma piada. São pessoas que, sem eu me aperceber muito bem como é que aconteceu, entraram... Sem querer, entraram onde muitos já tentaram e outros tantos ignoraram a porta que eu abri. E eu deixei, sem dar por ela, sem me aperceber, e sou com eles e elas o mais verdadeiro eu, e digo-lhes coisas que saem tão naturalmente que às vezes nem sabia que sentia tanto ou tão pouco. São pessoas que enchem o meu Mundo.

Hoje discuti com alguns de vós se é possível ser feliz sem uma companhia romântica, e a conclusão a que chegámos foi que sim, é possível, mas que se fica incompleto. Mas hoje eu sinto também, do fundo do coração, que, se der por mim sozinha no futuro, nunca o estarei, porque vos tenho a vocês.

Hoje, são todos vocês que me fazem feliz *.*


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Importo-me.

Importo-me. Apesar de ter desistido de o mostrar, e até de o sentir, a verdade é que me importo. Queria não o fazer. Queria poder ser fria, e não apenas tentar. Queria ignorar o que está mesmo à minha frente, queria que isso não tivesse nenhum significado para mim. Chama-lhe recaída, chama-lhe o que quiseres.

Estou cansada. De facto, eu acho que já sou cansada. Cansei-me nem sei bem de quê... Mas cansei-me. A culpa é tua? Não. Quer dizer... Talvez parte. Mas a culpa é, maioritariamente, minha. Porque podem-me ter feito tudo e mais alguma coisa, mas a verdade é que eu deixei. Eu, só EU.

Já não me enervo. Já não fervo em pouca água, como dantes. Já não quero vingança, como já quis e já fiz. Não... Agora quero começar de novo. Não quero esquecer tudo o que já se passou, porque a minha vida fez-me aquilo e quem eu sou neste preciso momento. E não quero esquecer isso.

Mas não. Não me preocupa ser diferente, preocupa-me não poder escolher entre ser diferente ou ser igual.

"As palavras cansaram, como eu, e recusam-se a sair... E arrancá-las não é a mesma coisa."

domingo, 15 de agosto de 2010

Não.

Não consigo escrever. Já tentei, e voltei a tentar, e não consigo escrever. O que tantas vezes foi um desabafo, uma maneira de eu mesma me perceber, é agora uma dor de cabeça. As palavras não saem, ficaram presas com os sentimentos. É de mais.... A pressão. A pressão que constantemente me preenche os ombros, e me deixa ofegante. Carregá-la não é fácil, muito menos conseguir levá-la até onde é suposto eu ir com ela.

Apesar de tentar sempre fazer a coisa correcta, acabo a fazer a errada. E eternamente peço desculpa. E eternamente me dizem não. Um NÃO tão redondo que enche todo o meu campo de visão. Sim, porque eu tento, e mesmo assim... Nada.

E no fim do jogo, ou do dia, como preferir, quem ganha é quem joga sujo. E eu tento repetir a mim mesma que não devo descer ao mesmo nível. Pois. Lembra-me lá outra vez.... Porquê?

domingo, 8 de agosto de 2010

.

Mudei de ideias. Já sei o que escrever. Cansei. Corre tu atrás, que eu tenho as solas gastas. Se não queres, tenho pena. Seriamos espectaculares juntos. Mas eu não quero alguém que só quer saber quando não tem mais nada para fazer... Rebaixo-me bastante, normalmente, mas há limites para tudo. Não espero mais 3 meses.
Não consigo escrever. Tiraste-me as palavras, e a única coisa que sai é lixo. Já escrevi e apaguei umas três ou quatro vezes. Vou fazer uma pausa, talvez um dia me consiga exprimir melhor...

<3

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pequenos passos

Ganhei coragem. Ganhei coragem e fiz aquilo que não devia ter feito. Afinal de contas, era suposto eu seguir em frente... Esquecer. Bem, não o fiz, corri atrás, e, aparentemente, parece que o fiz a tempo. Porque tu disseste que sim. Depois deste tempo todo disseste que sim. Depois de todas as vezes que desejei que fosses tu, fui eu, e disseste sim.

Convidei-te à tão pouco tempo, e já me dás esperanças. Já me dás sinais que não esqueceste o que se passou (como eu), e que queres lutar pelo que tínhamos (como eu). E aí quem se enraive-se sou eu. Sou eu que trago o orgulho todo cá para cima, e é a mim que me apetece bater-te. Porquê? Porque foi preciso ser eu.

Amanhã não sei o que vai acontecer. Mas posso garantir-te que não vais ter tanta coisa a teu favor como da outra vez. Porque, apesar de ser suposto, eu não esqueci.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Acabou

Pensei em convidar-te para sair. Iríamos tomar aquele café que cancelei, aquele café que tanto te doeu. Pensei, e estive quase a fazê-lo. Mas seria pelas razões erradas. Seria por estar e me sentir sozinha. Seria por querer seguir em frente e afastar-me do destino, que tanto me puxa para um lado, e que eu tanto tento contrariar.

Não seria justo para contigo, não outra vez. Tu personificas todos aqueles a quem eu magoei, por tomar decisões para as quais não estava pronta. Fi-lo muitas vezes, e ainda hoje penso que, se te tivesse dado uma oportunidade. a ti e a outros, algum de vocês me podia ter feito feliz... Mas não, não penso mais assim. Porque a culpa não pode ser só minha, não posso ser sempre eu a errar, e a dar oportunidades a quem não as merece. Porque mesmo quem eu magoo, pode não me magoar a mim, mas magoa outros. E nada me garante que seria diferente se eu tivesse dado mais oportunidades a outras pessoas.

Por isso chega. Chega de achar que a culpa é constantemente minha, chega de pensar que não presto nem sirvo para nada, chega de assumir coisas que não fui eu que fiz. Por isso mesmo, não te vou convidar para café nenhum, nem hoje, nem nunca. Se quiseres, convida-me tu. Deixei de ser a pobre coitada que perdeu a Mãe, e que tem uma família instável, e que por isso não consegue manter uma relação. Sim, eu sou uma confusão, um acidente de tráfico ambulante. Mas tento aguentar-me e fazer a coisa certa. E isso é muito mais do que tu alguma vez sequer pensaste, quanto mais fizeste.



domingo, 11 de julho de 2010

Culpa

Então... Hoje sinto-me culpada. Culpada por pedir algo a alguém que se ofereceu prontamente a oferecer. Não é ridículo? Sempre aceitei o que me ofereciam de bom grado, apenas por sentir que a outra pessoa era bem intencionada.

O que é que se passa? Às vezes sinto que sou completamente doida, que digo, faço e sinto coisas demasiado absurdas! Se estivesse a ter esta conversa pessoalmente, era a altura em que essa pessoa me vinha com o discurso de caridade. Sim, porque eu sou "especial, diferente". Tudo aquilo por que passo todos os dias, com os outros e às vezes apenas comigo mesma é que me fazem quem eu sou, é que me fazem tão diferente e tão especial. Engraçado... Um dia uma pessoa disse-me, ao fim de muitos anos de asneiras e de dramas que o que mais tinha pedido (a quem quer que seja) era felicidade. Pois a única coisa que eu pedia era para ser diferente. Quando era pequena lembro-me de às vezes desejar estar sozinha, a ler, comigo mesmo e com a música que me entrava nos ouvidos tão facilmente que era difícil imaginar que ela não era parte de mim. Sonhava ser diferente, ser uma heroina, pelo menos para alguém. Sonhava lutar por aquilo que acreditava, e pedia que a vida me trouxesse problemas para que eu os levasse como um desafio, e os resolvesse com a consciencia tranquila.

Pois... Isso não aconteceu. Sou diferente? Definitivamente. Talvez por ser única, talvez por ser suposto todos nós sermos únicos à nossa maneira. E aconteceu. A vida trouxesse-me algo muito próximo do que eu lhe pedi. Trouxe problemas, dificuldades. Trouxe-me luta. Trouxe lágrimas que não sei de onde saem, nem porque. Trouxe sorrisos que saem falsos, e trouxe outros que saem tão naturalmente que nem eu, nem os outros, percebem porque. Trouxe o orgulho, e trouxe também a consciência. E é esta que me pesa hoje. Pesa por achar que não sou digna de tudo o que a vida me trouxe. Sinto-me culpada por saber que sou ingrata tantas das vezes que a vida me põe à prova. Sinto-me culpada por não saber aceitar aquilo que pedi. Porque outros pedem, e não têm... Eu peço, e, além de não dar por isso, não o sei enfrentar.

"A perfeição não está na mão dos que a procuram, mas sim na dos que a deixam encontra-los"

sábado, 10 de julho de 2010

Estou bêbada. Finalmente de férias, decidi sair e beber uns copos, para esquecer metodologia. Esqueci metodologia e lembrei-me de ti. Fui ver fotos tuas e revejo os momentos que passamos: o sorriso com que me recebias à porta de minha casa, o calor do teu corpo que se aproximava de mim apenas quando me ia embora, o "sim" que me disseste, no meio de um beijo, e que contrariaste uma semana depois. Queria perceber o que se passou, se não arriscaste porque não gostavas de mim, ou porque tinhas medo.

A verdade é que ainda sonho com o teu regresso, e, por muito que queira e tente negar, eras tu que me ias tirar do grande buraco em que cai. Queria que tivesses ficado. Mas foste... E eu não consigo odiar-te. Não consigo esquecer-te, ultrapassar. Estou fechada para obras, e não consigo aproximar-me de mais ninguém.

Podias voltar, só para eu perceber.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Recordações

Apeteceu-me ouvir uma música que me fazia lembrar tudo o que passamos juntos. Lembro-me de a ouvir, enquanto trocava sms contigo, no silêncio e na escuridão do meu quarto, onde a única voz que ouvia era a tua, e a única coisa que via era o teu sorriso.

Sei que seremos sempre tudo, os dois, um do outro. Sim, serei sempre tua, e tu serás sempre meu. Mas sei que um dia conseguiremos, ambos, partilhar-mo-nos com outros. Eu já tentei, e resultou apenas uma vez. Quando chegar a tua vez, sei que vou estar lá para ver, e espero que não me custe tanto como te custaria a ti, se soubesses.

Apetece-me dizer-te o "Amo-te" que nunca saiu, apenas para te dizer que sim, estou aqui, e, infelizmente, não tenho acções investidas para ir a lado nenhum. Mas, também, se hoje me dissesses que me querias, dir-te-ia que não... Porque não te amo mais, e as lágrimas já não caem. Para já...

Até à próxima... In loving memory.

domingo, 4 de julho de 2010

Um amigo.

"Todos crescemos com a ideia de que estamos aqui por uma razão especial, para fazer a diferença, para deixar uma marca. Os nossos próprios familiares, através de uma simples história que nos tinha como protagonista, incutiram-nos a ilusão de que somos verdadeiros heróis, de que quando alguém precisa de ajuda, nós a salvámos, socorremos. Isto é apenas um idealismo ingénuo que só mais tarde nos apercebemos, mas que em qualquer altura da vida o nosso inconsciente, alimentado por essa mesma ilusão de infância, numa situação “heróica” nos preenche os sentidos com uma adrenalina realmente vibrante. E então? Não precisamos de super-poderes, nem de uma capacidade que nos distinga das demais pessoas. Temos apenas de fazer tudo para sermos aquilo que quisermos ser, não importa de onde vimos ou com que condições chegamos aqui. No final, o que fica são as lembranças nas pessoas que nos amaram. E por quê? Porque fomos nós mesmos. Podemos não ter sido heróis para todo o mundo, é certo, mas fomos para aqueles verdadeiramente importantes, e aí sim, viemos aqui por uma razão especial."

O corredor

Virou as costas. Virou as costas e, mais uma vez, não me percebe. E pronto, lá vou eu… Outra vez a chorar copiosamente por alguém que não merece, e que me acha maluquinha. É sina, serei sempre a rapariguinha que não sabe para onde se virar, porque tem a vida feita numa miséria. Coitada… Pois coitada é corno. E eu não sou corno. Não mais. Mas, apesar de toda a força instantânea que me faz ter vontade de lutar contra isso a que chamam destino, olho para o chão, em vez de para o céu.

A porta fechou. Já lá fui algumas vezes, entrei, e passei lá algum tempo. Quando saía, a porta ficava aberta. Podia ir lá hoje… Queria ir lá hoje. Queria uma abraço e um “Vai ficar tudo bem… Vamos conseguir”. Mas não vou, porque sei que não o ia ter. E mesmo que tivesse, era só uma questão de tempo até a porta fechar outra vez.

Talvez um dia ele perceba, e abra a porta do lado dele.

Narcisismos.

Não estou normal. Não sorrio à 3 dias e a única coisa que me sabe dizer é "Não estás normal". Apeteceu-me gritar "ACORDA! PASSEI O ANO NA MERDA, E COMPREI O SORRISO FALSO NOS CHINESES! E AGORA JÁ NÃO COLA MAIS!". Mas não o fiz. Porquê?

Não sei... Mais uma vez, calei-me. Eu, que ia mudar o Mundo. Nem a minha vida mudo, quanto mais a dos outros. Again and again, os homens tem a maior das facilidades em me destronar. Qualquer um, seja qual for a razão, seja qual for a maneira. E eu deixo... Sempre deixei, porque, feita estúpida, valia a pena. Valia a pena porque, um dia, eles me iriam dar razão.

Esse dia não chegou. E eu não posso esperar mais. Nem consigo... Nem quero. Mas que raio? Serei assim tão imperfeita, tão merecedora de todos os tipos de tortura imaginária? PORQUE É QUE NÃO OLHAS PARA MIM? Porque é que não me vês, estando eu aqui, todos os dias, MESMO À TUA FRENTE? Dói tanto... E eu sinto-me impotente. Não te sei dizer o que sinto, as palavras não saem, e o coração comove-se de olhar para ti e ver que tu não percebes mesmo. Ao contrário de mim, que percebo sempre tudo e todos... Sempre.

"Eu aguento tudo", disse, quando me disseram que estavam preocupados comigo. Treta... Eu não aguento nada, e essa é, entre muitas, a maior mentira que eu já disse. Fake until you make it, perhaps.


Não sei o que quero, hoje... Mas sei que não sou feliz.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Definições... Ou tentativas.

Às vezes ponho-me a pensar em objectivos... E, numa perspectiva um tanto ou quanto colectiva, o meu objectivo (e o de toda a gente) é ser feliz. Mas é mesmo?

Lembro-me de que quando era pequena sonhava ser uma personagem de um filme. Em sonhos fui muitas, cada mês que passava, uma diferente. Claro, dizem vocês… Eras criança, éramos todos assim! Pois… Mas eu já sou adulta, agora (em idade, entenda-se), e continuo a sonhar como dantes. Ainda mais, até…

Perguntavam-me no outro dia se sou feliz. Respondi com “E o que é isso?”. A resposta foi rirem-se na minha cara e dizerem que eu sou muito complicada. Até acho piada… Li em algum lado que o objectivo do ser humano é alcançar a felicidade, entenda-se por isso um emprego estável, um casamento pacífico, dois filhos, casa com jardim (e alpendre, fica sempre bonito…), a casota para a cadelinha branca de nome “Cherry”, o carro espaçoso mas com categoria estacionado à frente, e uma conta bancária estável, o suficiente para uma viagem às Caraíbas de vez em quando. Claro que, pondo as coisas desta maneira, muito de vós diriam “Meu Deus, que pessoas fúteis, só pensam em dinheiro!”. Verdade, mas tão mentira… Amor e uma cabana? Pois, está bem… Hoje, nem a versão “Amor e um apartamento “ serve, quanto mais?

Entendam que não estou a tentar chamar fútil à nossa sociedade… Até porque isso seria uma perda de tempo. A verdade é que a noção de felicidade é esta para muita gente (Ok, substituindo a “Cherry” pelo pastor alemão), e eu não sou presunçosa o suficiente para a criticar. Por outro lado, também já me disseram que a felicidade é algo instantâneo… Que felicidade são os amigos, a recordar os bons velhos tempos de rebeldia (entenda-se, universidade); são os primeiros encontros, os primeiros filhos, os primeiros netos; é pegar no carro e hit the road, à boa velha maneira americana… É boa música, é bom ambiente. É curtir a noite numa discoteca, é tomar um café com um desconhecido. São as pequenas coisas.

Em que ficamos afinal? Será a felicidade uma, a outra, ou ambas? Ou nenhuma?

Não quero ser feliz… Se esta vida já não está fácil, podem ter a certeza que não vou por como meu objectivo algo que não sei o que é! Então… Que o meu objectivo seja dormir tranquila… Quero chegar ao fim do dia, e ver que as coisas boas superam as más, quero sentir-me útil, e quero rir às gargalhadas quando tiver recordações. Quero viver um dia de cada vez.

Mas espera… Isso não é querer ser feliz?

sábado, 26 de junho de 2010

Precipício

Hoje magoei alguém. Mais uma vez, falhei. Deixei alguém na mão. Alguém que não merecia, alguém que mostrou realmente ser ALGUÉM.

Uma amiga disse-me um dia que havia diferença entre ser gente ou pessoa. Apesar de saber que sou pessoa, sinto-me cada vez mais gente. A minha alma está cada vez mais vazia...

As lágrimas querem cair, mas estão presas. A dor sufoca, e deixa-me realmente no chão. Outra vez.

Para mim chega. Hoje vou sair de casa, e sei que pode não ser hoje... Talvez nem amanhã, nem tão cedo assim. Mas um dia, eu sei... Vou conseguir.

"A desculpa mais sincera não é aquela que se diz... Mas a que se sente."

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Fogo

Desespero. E' o que sinto, hoje.
Mais uma vez, nem sei explicar porque. Mas sim, estou desesperada... Por ti. Por ti, e por ninguém em especial. Por alguém.

Quero o cheiro do teu perfume, a força dos teus braços, e o calor do teu corpo. Quero agarrar-te sem receios, amar-te em todos os sentidos possíveis e imaginários.
Hoje quero, desesperadamente, alguém. Alguém que me faça sentir mulher outra vez. Quero o medo, o friozinho, o sorriso estúpido, o calor, o cansaço...

Onde estás? Quando te encontrares, não te esqueças de me encontrar a mim.

...

Custa-me escrever. As minhas mãos estão pesadas, têm em cima as 1000 toneladas que pesa o meu coração. Cheio de memórias, arrependimentos, e o restinho de orgulho que sobrou.

Distribui-o por toda a gente menos por mim... Tu levas um grande bocado. Não, não era suposto. Não era suposto as lágrimas verterem assim, e as mãos pesarem. Era suposto muita coisa, mas não isto...

Cansei... Apesar e depois de tudo, ainda doi como se tivesse sido ontem. Pesas tu, e todos os outros. Doi como se tivesse sido rejeitada por ti, e por muitos mais. Mas, pensando melhor, não fui?

Também não era suposto ceder assim. Não era suposto toda a gente saber, muito menos era suposto gritar ao Mundo o quão ridicula sou e me sinto neste momento. Mas hoje não dá mais.. As mãos já não aguentam, e o coração pede a cama, que já está fria de se habituar só a mim.

Acabou, mas eu não consigo acreditar nisso! Sim, ridiculo...

"Two Steps Behind - Def Leppard"

Hoje.

Hoje acordei diferente. Não sei o que mudou, não sei em que mudei, muito menos sei porquê... Sei que nada sei, como diz o Poeta!

Voltou a alegria, a vontade interminável... Voltou o calor, mesmo que seja o dos meus lençóis. Voltou a fome, a gula. Voltou a força... Hoje nada me toca. Hoje sou o topo da montanha, e para lá chegar é preciso ser um verdadeiro campeão. E hoje escrevo. Também não sei porquê, mas sei que se o soubesse, tirava a piada, a alegria, a força.

É nestes dias que me interrogo se vale a pena. Se vale a pena o esforço, a dedicação, a crença. Hoje, as pessoas são cruéis. São invejosas, insensíveis... São crianças conscientes do mal que fazem. Hoje as pessoas mudaram. Mudaram de ideais, de convicções. E eu, nós, os que permanecemos originais, não somos respeitados. Nós é que não evoluímos, nós é que não prestamos, nós é que nos contemos. Hoje não conheço quase ninguém.
Mas hoje, hoje eu sei que até posso não ter razão, mas tenho a consciência tranquila. Porque eu tentei, nós tentamos aceitar-vos e compreender-vos assim. Já vocês...

Não me preocupo mais.

Se um dia o disser publicamente, sei que os comentários serão intermináveis. Quem não me conhece achará que eu sou a rainha da psicose. Mas quem me conhece realmente, já o sabe, e sabe também que eu, nós, temos razão... Chama-se atitude.

"Hoje sinto-me viva... Talvez amanha desmaie outra vez."