De certo modo, a música já não chega. As palavras de quem não me conhece, mas de quem tem a mesma dor que eu... Aparentemente já não chegam. Não chega a música, não chegam as palavras nem de quem não me conhece, nem de quem me conhece. Estas últimas não chegam a vir, nunca chegaram, porque nunca ninguém aguenta conhecer-me até ao fim... Ou então sou eu que não aguento. Não sei.
Sei que precisava de um "vai correr tudo bem". Sei que precisava de um abraço, de alguém que me dissesse que acreditava em mim, fizesse eu o que fizesse. Que se eu fizesse o irresponsável, o estúpido, o inconcebível, me dissesse que seguisse o meu coração, e que, no dia em que eu não soubesse o que ele dizia, me relembrasse, mesmo que não concordasse, e que fosse estúpido, inconcebível e irresponsável.
Não precisava de me entender. Se nem eu me entendo às vezes... Só precisava que confiasse, que me deixasse arriscar. Mas que acreditasse mesmo em mim.
O discurso já sei eu de cor. Tu vais conseguir, não ligues se dizem que não. Se achas melhor assim, tu sabes qual é a melhor decisão... Faz o que achares melhor. Quase colava, não fossem os olhares piedosos, a motivação que me impingem para que eu faça aquilo que nas cabeças dos outros é melhor. Pois... E se para mim não for melhor? E se eu tiver outras razões, outras prioridades? E se eu não quiser a mesma vida que os outros? E pronto, lá vem a mania que eu tenho de me achar diferente.
Dantes ainda acreditava. Acreditava que a minha existência e toda a minha vida me levariam a sítios diferentes, a objectivos diferentes. Afinal não... Estou aqui para a mesma merda que toda a gente. A diferença (cá está ela...) é que nem quando isso me cai em cima eu consigo perceber. Já não me conheço, ainda menos do que o costume. Momentos mudaram a minha vida, alguns eu até dei por eles. Mudaram-me a mim, e eu nunca mais serei a mesma. Nunca mais vou poder olhar-me ao espelho (como já fiz) e sentir-me orgulhosa. Nunca.
Começo a perceber agora... Começo a perceber-te. Tu nunca achaste que eras diferente, especial. Sempre soubeste que, tanto tu como eu, como tantos outros, não passamos de uma cambada de inadequados, fracos. Sabias disso e não gostavas. Não gostavas, não te conformavas, e fizeste o que tinhas a fazer.
Ao contrário de muita gente, admiro-te. Sabias o que querias, e agora que o conseguiste, as lágrimas não têm de voltar a cair-te pela face, nem o grito que tens na garganta tem de ser controlado, nem o aperto no coração te incomoda mais. Estás melhor, suponho. E fico feliz.
Não sei se vale mais a pena acreditar nos sonhos. Se pensarmos bem, ninguém conseguiu realizar um sonho sem se arrepender de alguma coisa pelo caminho, ou chegar lá e afinal não ser aquilo que se pretendia.
Acho que afinal não mudei assim tanto... Continuo a exagerar, e a ser dramática. E tal como não mudei isso, mais nada mudará também.
Vemo-nos na próxma.
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