Pensei em convidar-te para sair. Iríamos tomar aquele café que cancelei, aquele café que tanto te doeu. Pensei, e estive quase a fazê-lo. Mas seria pelas razões erradas. Seria por estar e me sentir sozinha. Seria por querer seguir em frente e afastar-me do destino, que tanto me puxa para um lado, e que eu tanto tento contrariar.
Não seria justo para contigo, não outra vez. Tu personificas todos aqueles a quem eu magoei, por tomar decisões para as quais não estava pronta. Fi-lo muitas vezes, e ainda hoje penso que, se te tivesse dado uma oportunidade. a ti e a outros, algum de vocês me podia ter feito feliz... Mas não, não penso mais assim. Porque a culpa não pode ser só minha, não posso ser sempre eu a errar, e a dar oportunidades a quem não as merece. Porque mesmo quem eu magoo, pode não me magoar a mim, mas magoa outros. E nada me garante que seria diferente se eu tivesse dado mais oportunidades a outras pessoas.
Por isso chega. Chega de achar que a culpa é constantemente minha, chega de pensar que não presto nem sirvo para nada, chega de assumir coisas que não fui eu que fiz. Por isso mesmo, não te vou convidar para café nenhum, nem hoje, nem nunca. Se quiseres, convida-me tu. Deixei de ser a pobre coitada que perdeu a Mãe, e que tem uma família instável, e que por isso não consegue manter uma relação. Sim, eu sou uma confusão, um acidente de tráfico ambulante. Mas tento aguentar-me e fazer a coisa certa. E isso é muito mais do que tu alguma vez sequer pensaste, quanto mais fizeste.
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