segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Vista da minha rua

Vou à varanda e olho o horizonte. A vista para a Penha assim, ao escuro, com uma luz aqui ou ali, sozinha... Poucas são as que se agrupam, assim como na via. Mesmo com estradas a uni-las, as luzes estão afastadas, longe umas das outras, nunca verdadeiramente isoladas, mas definitivamente sós. Tal como nós.
Na rua vêem-se, tenuemente, as linhas descontínuas, que, por muito que separem as duas vias, podem sempre ser transpostas por quem tem mais pressa. Os carros estão estacionados, uns melhor, outros pior, mas todos à espera que chegue a luz e que os seus utilizadores lhes dêem, como o próprio nome indica, uso. Pessoalmente, agonia-me. A espera, estática. O ter de ficar no mesmo sítio, sem poderem ir dar as suas voltas e voltarem quando forem precisos.
A brisa corre fresca, apesar de ser verão, e os ramos das árvores abanam, e transmitem o ar puro que tanto nos é negado por estarmos no centro da cidade. De vez em quando lá vai passando um carro, talvez depressa demais, pois a recta e a hora tardia assim o permitem.
E vai-se vivendo. Estáticos, agitados pela brisa, ou mesmo com demasiada pressa. Quando o dia clarear, o movimento aumenta, mas a essência permanece.

Concordo agora com um grande poeta português: "Eu hei-de te amar por esse lado escuro, com lados felizes eu já não me iludo. Se resistir à treva é o amor seguro, à prova de bala, à prova de tudo."


Sem comentários:

Enviar um comentário