Lembro-me de viver para e pela adrenalina. Lembro-me de me rir sem razão aparente, lembro-me de começar a cantar no meio da rua, e lembro-me de ter gente à minha volta que me acompanhava. Lembro-me de fazer figuras absurdas à frente de multidões, e lembro-me de achar piada.
Agora cresci, dizem-me. Agora já não rio de mim mesma tantas vezes, já não recordo tantas vezes, já não sinto tantas vezes. Agora estou demasiado ocupada a pensar nos problemas, nas responsabilidades, nas obrigações. Agora chegou a altura de deixar de ser uma criança e passar a ser uma mulher. Uma mulher responsável, saudável, bonita, bem-sucedida, e mais umas tretas do género.
Hum... E se eu não quiser? E se eu quiser ser uma criança só por mais um bocadinho? E se que quiser continuar a rir-me em vez de chorar? Tenho saudades do meu optimismo! Tenho saudades de me olhar ao espelho e sorrir para mim mesma. Tenho saudades de subir uma escadaria, queixar-me o caminho todo por causa do treino do dia anterior e gozar comigo mesma no fim. Tenho saudades de cantar aos berros (ou tentar pelo menos), tenho saudades de brindar com iogurtes (ou o que quer que seja), tenho saudades de fazer apostas, de jogar às cartas, de comer gelado, de passar tardes a conhecer-me a mim mesma e aos outros. Tenho saudades de "javardar", no maior e melhor sentido da palavra.
Cansei de crescer, cansei de pensar. A preocupação só me mata aos bocadinhos, e sinceramente, o cabelo branco não me deve ficar assim tão bem como isso. Quero dançar outra vez como se fosse a última vez. E quero olhar para a frente e ver quem alinhe nisso comigo...
Who's in?
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