quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Cala-te

Habituei-me a guardar as minhas opiniões para mim própria. Durante muitos anos disse o que pensava, mesmo sem me pedirem nada. Houve alturas em que falei demais, e comecei a tentar equilibrar as coisas... Nem falar demais, nem ser rebaixada, nem calar-me. Durante algum tempo a coisa até funcionou, e eu senti-me livre. As pessoas aprenderam a respeitar-me, eu aprendi a respeitá-las a elas, aprendi a ouvir e a ser ouvida. Pois agora essas pessoas foram-se. Foram-se, e com elas foi a minha capacidade de equilíbrio. Deixei de dizer o que pensava, deixei de defender as minhas ideias, a não ser que alguém me perguntasse directamente. Quantas vezes dou por mim a participar naquelas típicas discussões de café sobre a realidade actual, apenas com um sorriso sarcástico na cara e a pensar em muito mais do que deito cá para fora. Porquê? Porque não vale a pena. Convenço-me a mim própria que as pessoas não valem a pena, que as pessoas não ouvem. E não preciso de me convencer muito, as pessoas fazem isso por mim. Se me calei, não foi por acaso... Porquê falar com quem não me está a ouvir, e nem interessado está? Para quê acreditar que as pessoas têm o chamado "lado bom" e estarão lá para mim, se até eu não estou lá para elas às vezes?
Devo acreditar que as coisas vão melhorar, que os meus amigos vão estar sempre lá para mim, que as pessoas que marcam a minha vida actualmente vão continuar a marcá-la e que daqui a uma dúzia de anos não vou passar por elas na rua e ter uma conversa de circunstância de 5 longos minutos da qual saio envergonhada? Devia ser positiva, devia acreditar, devia ter fé? Repito, que ironia.

O engraçado é que eu sou positiva, eu acredito, e também tenho fé. Tenho isso tudo, e tenho ainda mais. Acredito sim, mas em mim e em mais ninguém. Habituei-me a guardar as minhas opiniões para mim própria, mas não sei até que ponto o continuarei a fazer.

Tinhas alguma coisa a dizer?... Cala-te, hoje falo eu.

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