Nunca tive medo. Às vezes um nervoso agudo, um pequeno receio. Mas medo? MEDO? Não, nunca me tinha acontecido. Diria eu que medo, numa definição bastante literal, se sente quando se tem algo de que se gosta de tal maneira que não se quer perder. Ok, até aí tudo bem. Suponho que toda a gente, por muito miserável e infeliz que seja, tenha algo que não quer ver ausente. Em conclusão, o medo é um sentimento natural, resultante da vida humana, do quotidiano de qualquer um. É, portanto, um sentimento abstracto, mas que não tem assim tanto mistério. Cientificamente falando, até acho que o medo é um estímulo do cérebro, simples choques eléctricos que, numa visão geral do funcionamento humano, não são assim tão difíceis de perceber.
Concluindo, ter medo é normal. Sim, é esta a palavra que se usa: Normal. Bem… Até pode ser normal, mas recuso-me a pensar que ter MEDO é algo que me é imanente. Medo? No sentido de pânico? Pânico de tal maneira asfixiante que me faz dormir inquieta, e acordar sobressaltada vezes e vezes sem conta? Normal? Medo, pânico tão abrangente que nem lhe consigo dar razão? Que nem lhe consigo atribuir um objecto, um conteúdo?
Normal, repetem-me. Que é normal, que acontece a todos, que não me preocupe, afinal ter medo até é uma coisa boa, não é? Quer dizer que se tem algo por que ter medo, certo? Pois… Então é suposto eu ficar feliz? É suposto eu ver o lado positivo e não me preocupar em demasia? Que ironia ser eu a ouvir a lengalenga do “Sê positiva, acredita em ti. É normal, é só uma fase!”… O caralho é que é só uma fase.
Chama-lhe mania do protagonismo, mas não é merda de fase nenhuma. Não é normal e não é, de certeza, razão para ficar contente. MEDO? Escrevi a verdade quando referi em cima que nunca me tinha acontecido. Por isso não vou ficar feliz. Não vou dizer que é normal para conseguir viver comigo mesma, e achar que não sou mais que os outros. Se tiver que ser mais que os outros para lutar contra o medo, então que assim seja. Ele tolda a vista, põe-se à frente dos meus olhos (e de todos os outros), e impede-os de ver mais e mais longe. O medo é opaco e põe-se no meu caminho. E estão à espera que o deixe estar? Estão à espera que o deixe sentar-se, acomodar-se, talvez até morar comigo? É melhor esperar sentado então. O medo é como aqueles convidados indesejados que nunca ninguém diz para ir embora para não parecer mal, para não se ser diferente.
Chama-lhe mania do protagonismo, mas não é merda de fase nenhuma. Não é normal e não é, de certeza, razão para ficar contente. MEDO? Escrevi a verdade quando referi em cima que nunca me tinha acontecido. Por isso não vou ficar feliz. Não vou dizer que é normal para conseguir viver comigo mesma, e achar que não sou mais que os outros. Se tiver que ser mais que os outros para lutar contra o medo, então que assim seja. Ele tolda a vista, põe-se à frente dos meus olhos (e de todos os outros), e impede-os de ver mais e mais longe. O medo é opaco e põe-se no meu caminho. E estão à espera que o deixe estar? Estão à espera que o deixe sentar-se, acomodar-se, talvez até morar comigo? É melhor esperar sentado então. O medo é como aqueles convidados indesejados que nunca ninguém diz para ir embora para não parecer mal, para não se ser diferente.
Eu? Eu recuso-me a deixar que o medo veja sequer a porta de entrada. Ele que se aproxime, que vê o pontapé que eu lhe dou… Ele que tente.
Em último caso, solto os cães ;)
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